Escritos

Saturday, February 11, 2006

Querida,

Esta já é a sexta carta que eu escrevo, com muito prazer, para que eu não recaia outra vez em desespero. Queria saber mais da sua vida, queria que me contasse o que está fazendo, dia a dia, despreocupada com os detalhes da vida, com as coisas mínimas que às vezes estragam toda uma vida; despreocupada com o passado. Comigo... tudo continua a mesma rotina: amanhece, a amo; anoitece, a amo e não sei o que mais fazer... desespero?, talvez nem mais. O que me bate, à noite, quando estou sentado naquela nossa cadeira de balanço que fica na varanda, é uma saudade que se cola em mim, e não sai mais. Sua imagem vem-me à cabeça instantaneamente, e dali não sai mais.

Uma imagem, um retrato, estático, de você, apenas você; minha imagem, que estava ao seu lado parece ter sumido no tempo, como eu devo ter sumido no tempo a você. No entanto, estás aqui muito presente em mim, como aquela lembrança que você carrega da infância, uma coisa boa, ou uma chaga. Já lhe contei, algures, da minha incompleta alma: ela luta por sobrevivência, luta por desespero, por temor, e não a esquece. Jamais! Essa imagem está cada dia se renovando, tornando, assim, meus dias um pouco mais alegres, mais joviais. Mas olho para a mesa de jantar, e você não está.

Encontro-a em cada esquina por que passo, encontro-a em cada pessoa que anda e assusta com meu olhar cansado e perplexo. Encontro-a em lugares que você e eu costumávamos ir, costumávamos abençoar nosso perfeito relacionamento... "ávamos", "ávamos": que ferida em meu coração! Um dia, ele não mais agüentará, e sabe só Deus o que me vai acontecer. Talvez seja minha pena por não ter sido à sua altura, à parte do esforço, por não a amado como você, creio, gostaria; mas, apesar de tudo isso, eu a amei (e amo), eu me esforçei (e peno), eu me entreguei (e sou sua), eu me apaixonei (e vivo assim). Não importa todo o sofrimento que rói pouco a pouco meu coração, desde que esse sofrimento seja por você, de você e com você. Não ligue para me consolar, nunca me ligou, mas aqui já deixo o aviso. Deixe que eu a ame, se não posso pessoalmente, em sonhos.

Em sonhos, e nada mais.

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