Escritos

Sunday, October 02, 2005

Por esse amor e nada mais…

Por quanto tempo sonhei contigo
Para que pudesses vir a mim,
Contente, feliz, com esse sim
Estampado nos lábios amigos?
Por quantos momentos já não sofri
Por antecipação amores; comigo,
Tudo o que achei, que entendi,
Nada fora senão passo atrás.
Por quantas vezes não me enganei, não menti?,
Por esse amor e nada mais...


Quantas noites, em sonhos grandiosos,
Passei, acordados, perdido, ao mundo dado(s)?
Por quantos dias não senti, ausente, teu afago,
Tuas mãos a lavar minha lágrima; estrondosos,
Batimentos de meu peito,
Fortes, ribombantes, sonoros,
Ele reclama, afasta-te!, e aproxima!
Porque fora você que amei demais,
E, tu, só tu, meu amor, e só para ti, morreria, minha sina,
Por esse amor e nada mais...


Quanto, por quanto, e tanto,
Meu amor por ti não reclamou?
Pois quando pelo imenso vazio da alma ecoou
Seu doce, etéreo, soberbo canto,
Momentos de extrema alegria se fizeram,
E não se repetiram jamais; e, no entanto,
Quando lembro dos sons que se enterneceram,
Não, não posso, não conseguirei viver jamais!
Corre em minha face, somente, o pranto,
Por esse amor e nada mais...

Tantos dias fúteis, dias vazios,
Vivi preso a esse seu olhar...
Quantas vagas não contei ao mar
Para notar o tempo fugidio.
E ele, tristemente, aconselhava:
“Por que não a esperas, ou pede-a ao luar?”
E eu, como alma só que chorava:
Ó, de que vale? Se o que resta é chorar
Por que eu me alegrava? Porque ansiava
Por esse amor e nada mais...


E como se o mar me respondesse
Com um som calmo e sereno,
Fazia-se em brasa meu coração moreno,
E tudo quanto fosse só me desse.
Antes, tudo o que era lindo e gracioso,
Como pó se esvai e desaparece..
Límpido, puro e gracioso,
O mar me dizia ainda mais:
“Pois não haveria nada?” Não, não fosse temeroso,
Por esse amor e nada mais...


A noite escurecia o céu da tarde
E a Lua subia, grave, no horizonte;
Sua luz lançava olhar sobre os montes
Do atol dos solitários ao meu coração alarde.
“Ó sofredor terreno! Vê tu minha desgraça:
Vivo e amo o sol, no entanto, ao longe,
Sempre que chego ele se afasta!
Achas que sofres por amor demais?
E eu, que amo o Sol, que a mim nunca se enlaça,
Por esse amor e nada mais...


E a chorar fazes pedidos
Ingênuos, impuros, de amores lassos?
Segue seu caminho, seus passos,
E deixa a mim chorar amores perdidos!”
No cair do frio da noite gélido
A lua me envolvia com luar escasso...
E colocava-me a fitar, incrédulo,
O longe mar, calado assaz;
Por um momento quis apagar o tudo
Por esse amor e nada mais...

E quantos mais sonhos não terei
Ao pensar no que você fora na minha vida?
Quantas lamúrias não encontrarei, perdidas,
Nos abraços que não abraçarei?
Quantos luares nas soleiras
As aves encontrarão jazidas
No ferro quente das braseiras?
Não, não suportarei mais...
E, ainda assim, continuo, na mão com uma roseira,

Por esse amor e nada mais...

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